Estudo projeta impactos da Copa de 2014 na economia

Eventos esportivos como olimpíadas e copa do mundo sempre carregam grande visibilidade internacional para os países que os sediam. Mas a capacidade de produzirem benefícios para as economias locais de modo mais permanente é sempre questionada. Que o diga Montreal, que, apenas em 2006, três décadas após abrigar os jogos olímpicos, pôs fim a uma dívida de R$ 2,8 bilhões gerada pela organização do evento.

“Na maioria das vezes, argumentos sobre grandes ganhos têm por base estudos de impactos econômicos encomendados pelos governantes ou empresas esportivas para justificar seus investimentos, uma vez que os custos para realizar tais megaeventos são cada vez maiores”, observa Edson Domingues, professor da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG.

Interessado em detalhar mais objetivamente as repercussões da Copa do Mundo de 2014 na economia mineira e do Brasil, o pesquisador decidiu lançar mão de um complexo modelo computacional de simulação de cenários e, após extrair série de dados, acaba de produzir os primeiros papers, em colaboração com dois alunos de doutorado em economia, Admir Betarelli Junior e Aline Magalhães.

Alimentado com 300 mil variáveis e equações, o modelo gerou sete simulações sobre as repercussões do evento, levando em conta os recursos previstos para as obras de infraestrutura urbana e dos estádios e a modalidade de fonte financiadora, em cada unidade da federação. Os dados gerados permitiram extrair análises dos impactos nas fases de execução e operação das obras relativamente aos índices de emprego, produtividade e aumento do PIB, consumo das famílias, investimento, consumo do governo, exportações, importações, PIB real, emprego, IPC, deflator do PIB e preço das exportações.

“O principal resultado da Copa 2014 parece ser a melhoria da infraestrutura urbana nas cidades-sede, o que efetivamente representa impacto de longo prazo na eficiência econômica delas”, registram os autores no artigo, lembrando ainda que o evento tem o potencial de atuar como acelerador de investimentos cruciais para a vida urbana.

Eles observam ainda que, no elenco das repercussões, a literatura costuma mencionar a ampliação dos setores de serviços e de hotelaria, do fluxo de turistas durante e após os jogos e maior atração de investimentos externos. Esses fatores, no entanto, não entraram na análise, pois se considera difícil estimar e mensurar sua ocorrência em função de um único evento.

Bolo
Um dos pontos chaves da polêmica que impulsiona os estudos é que muitas vezes esses eventos são bancados por dinheiro público. Em 2014 não será diferente: os cerca de R$ 15,4 bilhões estimados para obras de infraestrutura urbana e construção ou reforma de estádios no país virão sobretudo dessas fontes.

Dados divulgados em fevereiro pelo Ministério dos Esportes indicam que a maior parte do bolo (R$ 10,1 bilhões) será financiada pelos vários níveis de governo e destinada à remodelagem da infraestrutura nas 12 cidades-sede. O restante, R$ 5,3 bilhões, também virá, em grande parte, do setor público: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) arcará com 64,8% do total.

Nas simulações feitas pelos pesquisadores da UFMG, a predominância dessas fontes nos investimentos foram responsáveis, no entanto, por uma retração do impacto econômico da Copa 2014. “Ele tende a diminuir com o financiamento público para as obras de estádios de futebol, uma vez que implicam ou o crescimento da dívida pública ou a redução do gasto das diferentes esferas de governo envolvidas”, ressalta Domingues.

No entanto, há outros saldos positivos produzidos pelo evento. Para Minas Gerais – especialmente Belo Horizonte –, os pesquisadores estimam aumento de 1% no PIB e geração de pelo menos 38 mil empregos. Para o país, o crescimento sinalizado foi de 0,69% do PIB e 0,5% no emprego.

Como era de se esperar, em todas as cidades-sede, a construção civil é a mais beneficiada na fase de execução das obras (4,05%). “Com menos destaque, tem-se os setores de máquinas e equipamentos (1,72%), produtos de minerais não metálicos (1,72%) e material elétrico (1,11%)”, detalha o estudo.

Do volume de recursos previstos para o país, Belo Horizonte vai receber R$ 1,4 bilhão – também para infraestrutura urbana e reforma do estádio do Mineirão. Esses valores serão bancados em sua maior parte pela Caixa Econômica Federal e BNDES. As obras têm término previsto para 2012. O estudo completo será apresentado ainda este mês no Seminário de Economia Mineira em Diamantina.

Conheça quadro com investimentos especificados para Belo Hroizonte

Fonte: (Boletim UFMG, edição 1693)

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