Pequenos gargalos: poucos falam, todos sentem

A Copa do Mundo 2014 e a Olimpíada de 2016 trouxeram de volta ao centro dos debates o desafio da infraestrutura no País. O próximo presidente terá de lidar com as deficiências dos aeroportos, o sucateamento dos portos e o caos nas estradas que ligam os principais centros produtivos brasileiros.

Nas últimas duas décadas, esses entraves custaram cerca de R$ 360 bilhões às empresas, segundo um estudo da FGV. Há algo de podre no reino do Brasil: essa montanha de recursos equivale ao PIB da Dinamarca. O problema é que também há inúmeras pedras no caminho do desenvolvimento, que nem sempre são discutidas no centro do poder, mas que infernizam a vida de empresários e cidadãos. São os microgargalos da economia – uma série de deficiências que vão da falta de táxis em aeroportos à sobrecarga da telefonia, passando pelo alto custo da banda larga.
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Cadê o táxi? Fila de espera no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, pode demorar mais do que a viagem da ponte aérea
Poucos setores refletem tão bem essa situação quanto o da telefonia. Sistemas modernos e alto índice de linhas por habitante descreveriam um cenário semelhante ao dos maiores mercados do mundo.
Basta comparar preços e serviços para mudar de ideia. Embora seja privatizada e tenha a segunda tarifa mais cara do mundo – R$ 0,45 o minuto, atrás apenas do R$ 0,50 da África do Sul, segundo a consultoria Bernstein Research –, fenômenos como rede ocupada, queda de ligação, falha de sinal e grandes áreas sem cobertura são problemas corriqueiros. O que acontece?
Segundo Eduardo Tude, da consultoria Teleco, o setor de telecomunicações no Brasil cresceu rápido nos últimos anos à medida que a concorrência se acirrou. Os investimentos, no entanto, não têm acompanhado na mesma velocidade o crescimento da demanda.
“O setor de telefonia móvel disparou e as empresas agora correm para garantir a qualidade dos serviços. Nem sempre conseguem”, disse Tude. Realmente, as operadoras não têm conseguido.
A telefonia lidera a lista de reclamações no Procon e se tornou alvo de constantes autuações da Agência Nacional de Telecomunicações. “Os serviços de telefonia no País são vexatórios, se comparados aos dos emergentes”, disse o consultor Virgílio Freire. “Haverá um colapso.”
O colapso estrutural, obviamente, extrapola o setor da telefonia. Quem desembarca nos mais movimentados terminais aéreos do País chega a enfrentar filas de até 40 minutos apenas para tomar um táxi.
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É o mesmo tempo gasto na ponte área Rio-São Paulo. No Aeroporto de Congonhas, por onde passa 1,2 milhão de pessoas por mês, estão cadastrados apenas 230 veículos. Em um cálculo simples, significa um táxi para cada 200 pessoas.
Se nas grandes cidades falta sinal de celular, táxi e internet de alta velocidade, não muito distante dali falta até água na torneira. Nos feriados prolongados,  Praia Grande, no litoral  paulista, costuma ficar sem água por várias horas.
Apesar dos diversos entraves ao crescimento, há boas perspectivas no horizonte. Uma onda inédita de investimentos está a caminho e deve aprimorar a infraestrutura brasileira nos próximos anos, segundo levantamento da Standard & Poor’s.
Áreas como transportes, estádios esportivos, usinas de energia, tratamento de água e projetos offshore de petróleo devem receber até US$ 500 bilhões de investimento. Com essas obras concluídas, o Brasil poderá deixar a lanterna do ranking de infraestrutura – título que não combina com um país que será um dos mais vistos e visitados nesta década.
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