Copa e Olimpíadas: Cresce o banquete da burguesia

Escrito por Waldemar Rossi
Ter, 21 de Junho de 2011 22:34
 

A perplexidade vai ganhando espaços na mente do povo brasileiro. A cada dia que passa a mídia nos oferece um verdadeiro festival da corrupção com dinheiro dos orçamentos públicos, tanto federal quanto estaduais e municipais.

 

Para começar, convém lembrar que Lula foi aplaudido por milhões de brasileiros quando levou mais de cem pessoas em sua comitiva (ou trem da alegria) à Europa para assistir à definição da sede das Olim-piadas de 2016, cuja preferência caiu para o Rio de Janeiro. A festa contagiou nosso povo e milhares de cariocas festejaram em suas lindas praias. Era como se tivessem chegado ao Paraíso.

 

Como seria inevitável, surgiram inúmeras críticas, mostrando que o preço seria caro demais para o povo, sem reais benefícios. Previu-se que muito dinheiro teria que rolar para garantir toda estrutura e infra-estrutura a fim de garantir que tal evento venha a acontecer com sucesso. As perguntas que os críticos faziam eram: quem vai bancar as obras dos estádios, dos aeroportos, dos estacionamentos, das avenidas, das linhas de metrô? E assim por diante tantas outras.

 

Preocupado com possíveis desgastes políticos em vésperas de eleições gerais, membros do governo e o próprio presidente Lula diziam que as obras seriam bancadas pela iniciativa privada – indicativo de que dinheiro do orçamento da União não entraria.

 

Porém, logo depois o próprio Lula autorizou o BNDES a disponibilizar dinheiro para as parcerias. Seriam poucos reais que trariam retorno com emprego para as obras, com o turismo, entre outros supostos benefícios. Aos poucos, a raposa foi mostrando sua cauda. Os orçamentos para a construção e reformas dos estádios foram se revelando nas alturas, escandalosamente superfaturados, enquanto que os clubes confirmavam não ter condições financeiras para atender a todas as exigências da FIFA (autoridade máxima do futebol) e, logicamente, para as Olimpíadas. As empreiteiras exigiram financiamento e, aos poucos, medidas são tomadas em nível do governo federal para garantir a execução das obras.

 

Não restam mais dúvidas sobre o “erro” político e a inoportunidade em bancar a Copa e as Olimpíadas. Mas o abacaxi deixado por Lula ficou nas mãos da presidente Dilma Rousseff. Depois de muita pressão, Dilma emitiu MP (Medida Provisória), aprovada na Câmara, que garante SIGILO sobre os contratos das obras da Copa. Ora, sigilo por quê?

 

Por acaso há alguma garantia de que neste país as empreiteiras são idôneas? Que não fazem falcatruas? Alguém acredita que elas sejam honestas? Ou ainda que nas várias instâncias do governo não haja corrupção? O disparate de tal medida é tão grande que o próprio Sarney (que não é lá “flor que se cheire”) veio a público denunciá-la. Isto depois de ter sido escancarada a falcatrua sobre as obras da reforma (mais uma) do Maracanã, orçada em mais de 1 bilhão de reais, dinheiro suficiente para construção de, pelo menos, 20.000 (vinte mil) moradias populares, que dariam abrigo a 20 mil famílias de trabalhadores. E de onde vem esse dinheiro? Do governo do estado do Rio ou do BNDES.

 

Nos últimos dias, o prefeito Kassab, da cidade de São Paulo, garantiu a bagatela de 450 milhões de reais em isenções fiscais para assegurar a construção do estádio do glorioso Corinthians. Enquanto faltam médicos, enfermeiros e atendentes nas unidades do SUS e nos hospitais municipais paulistanos. Dias atrás, tivemos de ouvir a aberração do ministro dos Esportes Orlando Silva Jr. (PC do B), afirmando que as obras do “Itaquerão” não são responsabilidade do clube, e sim do governo do estado. A Dilma não o reprimiu. Durma-se com um barulho desses. E o novo estádio de Brasília vai custar “o olho da cara” para bancar alguns jogos e depois ficar às moscas, assim como boa parte dos demais estádios.

 

Por outro lado, os escândalos com o dinheiro público se multiplicam. O secretário de Esportes, Lazer e da Juventude do estado de São Paulo, Jorge Pagura, foi denunciado por receber também e indevidamente de seu cargo de médico de plantão no hospital de Sorocaba, onde nunca apareceu. Além dele, outras 13 pessoas tiveram ordem de prisão por fraudes em plantões médicos. Enquanto o Estado paga, o povo fica sem atendimento médico. E tudo continua como antes. Alguns são até presos, ficam alguns dias e depois vão desfrutar dos recursos desviados de seus fins sociais. Ninguém irá ressarcir os cofres públicos, apesar de estar confirmado que essa gangue – médicos, dentistas, enfermeiros e empresários – desviou cerca de R$ 1,8 milhão (um milhão e oitocentos mil reais, Estadão, pag. A16, de 21/06-2011).

 

Voltando à esfera federal da política, constatamos que, apesar de todos os protestos e pareceres do erro político, econômico, social e ambiental de se construir a usina de Belo Monte, na Amazônia, o governo Dilma joga tais pareceres e protestos na lata do lixo, dando “bananas” ao povo que a elegeu, fazendo a mesmíssima coisa que seu antecessor Lula com a transposição do rio São Francisco e outras mega-obras que só interessam aos poderosos.

 

Fica, pois, muito difícil crer que haja boas intenções em nossos governantes e que não se entregaram às imposições dos interesses do grande capital. Fica difícil crer que não “venderam suas almas ao diabo” ao buscarem recursos milionários entre os grandes empresários para bancar suas campanhas eleitorais.

 

Assim, de governo em governo a burguesia vai tornado seu banquete cada vez mais copioso, enquanto, para o povo que trabalha, resta o desespero dos baixos salários, as filas dos hospitais e as filas em busca de algum emprego que lhe garanta vida minimamente decente.

 

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

Fonte: Correio da Cidadania

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