Política potencializa falhas da Copa

A 960 dias da Copa de 2014, o Brasil caminha para a fase crítica das obras de preparação deixando para trás um rastro de tropeços. Dos critérios de escolha das cidades-sede à crise recente no Ministério do Esporte há um acúmulo de erros potencializados por interferências políticas.

Enquanto gasta tempo com esse jogo, o país sai perdendo. Na avaliação do professor de gestão do esporte e consultor da empresa BDO/RCS, Amir Somoggi, o Brasil já desperdiçou o tempo das “oportunidades”. “Não atraímos investimentos privados, nem geramos um ambiente de negócios saudável e duradouro para depois da Copa. Isso não volta mais; ficamos dependentes praticamente apenas de recursos públicos”, diz.

Segundo ele, todos os megaeventos como um Mundial de futebol ou uma Olimpíada sofrem interferência política. Somoggi cita que mesmo nas Copas da Alemanha (2006) e da França (1998) foram necessários investimentos públicos que passaram por um embate político-partidário. “A questão é que no Brasil isso ficou muito exacerbado.”

As pressões começaram a partir do anúncio oficial da escolha do país, em outubro de 2007. A ideia inicial era contar com apenas oito cidades-sede, que seriam selecionadas até o final de 2008. O número saltou para 12 e o desfecho só ocorreu em maio de 2009.

Várias promessas também foram caindo pelo caminho, como a vedação do uso de dinheiro público nas reformas dos dois estádios privados – a Arena, em Curitiba, e o Beira-Rio, em Porto Alegre. Houve também indícios de superfaturamento de até R$ 700 milhões detectados neste ano pelo Tribunal de Contas da União – R$ 100 milhões apenas na obra do Maracanã. Por último, o Congresso parece distante de um acordo em torno da Lei Geral da Copa, que trata das mudanças na legislação brasileira para atender às exigências da Fifa.

Os deputados federais paranaenses Dr. Rosinha (PT) e João Arruda (PMDB), que integram a comissão especial que discute a Lei Geral na Câmara, mostram decepção com o rumo do debate. “Pode ficar ruim para mim, mas a verdade é que sou contra a realização da Copa no Brasil. Primeiro porque acho que os investimentos públicos não podem ser pautados por um evento de algumas semanas. Depois porque não acredito que o Brasil deva se adequar às ordens da Fifa”, diz Arruda.

Membro da CPI da Nike, que acabou em 2001 e investigou contratos da empresa com a CBF, Rosinha diz que “sempre existem” parlamentares que querem usar o esporte como palanque e contaminam a discussão. “De um lado, tem o pessoal que quer aparecer como responsável por trazer a Copa para o Brasil. Do outro, gente da oposição que quer ligar o governo a qualquer indício de desvio nas obras”, opina o petista.

Para Rosinha, a presidente Dilma Rousseff acerta ao se afastar dos dirigentes da Fifa e da CBF – ao contrário do que fazia Lula. Já Amir Somoggi também vê interesse político inclusive por trás da distância. “A Dilma está aproveitando bandeiras populares para confrontar a Fifa, a meia-entrada e a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios”, diz o consultor, que prevê a possibilidade de um panorama ainda pior no futuro. “O ideal é que um país invista apenas 1% do seu PIB em um megaevento como a Copa. O Brasil dá mostras de que vai gastar o dobro, corremos risco de déficit.”

 

 Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=1185084&tit=Politica-potencializa-falhas-da-Copa

Anúncios
Esse post foi publicado em copa 2014, Reportagens e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s