A sociedade brasileira não está imóvel diante dos megaeventos esportivos que vêm aí

É POUCO, ainda, muito pouco, para o tamanho da confusão e das empreitadas.

Mas já se vê pelo Brasil afora gente séria mobilizada para que a Copa do
Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 não sejam enfiadas goela adentro como
foi o Pan-2007.

E, quando é dito que as pessoas não estão imóveis diante dos dois maiores
eventos do mundo que acontecerão aqui, há, também, uma dose de humor negro,
porque não são poucos os que estão sendo expulsos de suas casas em função
das muitas obras já em andamento.

E, invariavelmente, ao arrepio da lei, sem o menor respeito à obrigação de
alojar os desalojados nas imediações de onde já moravam.

Ocupações à força, desapropriações com pagamentos abaixo do valor das
moradias, ameaças, tem de tudo sob quase absoluto silêncio da imprensa em
geral, mas, menos mal, não das comunidades em particular.

Que se articulam.

Nesta sexta-feira, por exemplo, o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíada fará
um debate, moderado por uma líder comunitária da Vila Autódromo, na sede da
Associação Brasileira de Imprensa, envolvendo urbanistas, historiadores e
jornalistas.

Na terça-feira passada, na 21ª Conferência Nacional da Ordem dos Advogados
do Brasil, em Curitiba, abriu-se um amplo espaço, e com audiência
significativa, para que o tema Copa/Olimpíada fosse amplamente debatido,
inserindo de vez

a OAB, que já tem se manifestado sobre os excessos da Lei Geral da Copa, na
resistência aos fatos consumados.

Não foram poucas, neste ano que está quase acabando, as reuniões com alunos
da USP, em São Paulo, e da UFRJ, no Rio, sobre a questão, juntando
profissionais sérios do calibre de Carlos Vainer, Hermínia Maricato e Raquel
Rolnik, gente, aliás, insuspeita de fazer oposição por fazer oposição ou que
possa ser vista como tucana.

Porque é simplesmente uma trágica ironia que um governo dito popular permita
que se exclua aqui como se excluiu na África do Sul, sem discussão nem
piedade.

E o grito dos desalojados precisa chegar ao blindado Palácio do Planalto.

Registre-se, por sinal, que o Comitê Olímpico Internacional tem revelado
alguma sensibilidade para a questão, algo que a Fifa passa ao largo, surda,
muda e cega.
Passarão?

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/jucakfouri/1011101-o-pais-se-move.shtml

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