Comitê Popular da Copa de Curitiba realizou oficinas durante o ano de 2011

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Entre as atividades de formação esteve a oficina ministrada para a juventude do MST durante o 1º Festival de Artes das Escolas de Assentamento do Paraná

 Desde a sua formação, em Junho de 2011, o Comitê Popular da Copa de Curitiba tem se mobilizado de diferentes maneiras. Além das reuniões, que aconteceram quinzenalmente, o comitê organizou manifestações, cinema de rua, atos simbólicos, panfletagens e oficinas.

Durante o mês de Outubro, os integrantes do comitê participaram do 1º Festival de Artes das Escolas de Assentamento do Paraná: “Por Escola no Campo e Alimentos Sem Agrotóxicos”. O evento reuniu em torno de 2.500 crianças, adolescentes e educadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aconteceu simultaneamente ao 9º Encontro dos Sem Terrinha, realizado anualmente durante o mês de outubro.

 Cerca de 50 oficinas de arte e educação, com reflexões em torno da temática Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foram aplicadas durante o primeiro dia de festival, no domingo (30/11). Cinema, rádio, fotografia, dança, teatro, artesanato e esporte foram algumas das atividades realizadas pela manhã no Colégio Estadual do Paraná.

 A oficina do Comitê Popular da Copa, “A Copa do Mundo é Nossa?”, que foi ministrada por Fernanda Keiko Ikuta, Laura Rougemont, Eloah Vargas e Juliana Quadros Luchtenberg teve como objetivo despertar um questionamento em relação à Copa da FIFA, geralmente tida como uma grande festa que trará benefícios para todos. Além de discutirem os prejuízos sociais e as violações de direitos humanos na preparação do país para os chamados megaeventos esportivos, os oficineiros também estimularam os jovens a pensar no futebol-negócio, baseado na competitividade, no individualismo e na transformação do esporte em atividade empresarial. Foi a primeira oficina ministrada pelo comitê para este público desde sua formação e teve a participação de 40 jovens entre 14 e 17 anos.

A dinâmica

 Para promover a interação entre as pessoas do grupo, a oficina teve início com a seguinte dinâmica: foram distribuídos um balão e uma agulha para cada pessoa. Os balões foram enchidos. Quem ainda estivesse com o balão cheio depois de um minuto ganharia um prêmio. Os jovens começaram a estourar os balões uns dos outros, como já era previsto, ao invés de cooperarem para que todos pudessem ganhar um prêmio. A atividade possibilitou aos participantes da oficina uma reflexão sobre a questão do individualismo e da competitividade no esporte. 

Na seqüência, foram exibidos slides que apresentavam fotos de como ficarão os estádios depois da Copa do Mundo, que concentram investimentos públicos, em contraste com a situação  de nossos hospitais e escolas. Também foram apresentados dois vídeos: “Jornal britânico Guardian denuncia as remoções para a Copa do Mundo no Rio de Janeiro” e “Vila Autódromo/RJ – Cadastro da Prefeitura para o início do projeto de remoção”.

“As brincadeiras e a dinâmica em geral foram muito criativas”, diz a estudante Nauana Yara Fabro, do Colégio Estadual do Centrão, em Querência do Norte, que participou da oficina da Copa. Nauana confessa que não imaginava que estavam ocorrendo despejos forçados para a realização de megaeventos esportivos e acrescenta: “as pessoas deveriam ser mais unidas, todos poderiam competir e mostrar do que são capazes no esporte, mas ganhando o mesmo tanto”.

Os jovens foram convidados a produzir, em grupos, um material escrito ou ilustrado a partir dos debates que aproximaram os problemas envolvendo a Copa da FIFA e os temas relacionados à vida dos participantes no campo, como o agronegócio e a expropriação de terras. Os grupos apresentaram cartazes, desenhos e estêncil.

Segundo a geógrafa e integrante do Comitê Popular da Copa de Curitiba, Fernanda Keiko Ikuta, a realização da oficina foi importante para os jovens perceberem que a população do campo também pagará a conta das obras da Copa do Mundo, mas que as demandas prioritárias tanto do campo como da cidade serão deixadas de lado. “Os principais grupos empresariais envolvidos nas obras são empreiteiras que também estão despejando e expulsando a população rural em outros grandes projetos como a construção de hidrelétricas e portos”, afirma.                                                                               

A oficina encerrou com outra dinâmica lúdica, que envolveu música e a fala dos jovens, sintetizando o que estavam pensando sobre a Copa após o que foi trabalhado durante a manhã. Para Fernanda Ikuta, a atividade significou mais um passo na iniciativa de ampliar o debate sobre a Copa e, fundamentalmente, fazê-lo junto aos movimentos sociais e comunidades afetadas direta ou indiretamente.

 Texto: Camilla Hoshino, integrante do Comitê Popular da Copa de Curitiba

 

 

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