Encontro da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa define atuação para 2012

O encontro da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, realizado entre os dias 21 e 24 de janeiro em Porto Alegre, consolidou a oposição às violações, abusos e ilegalidades relacionadas à realização de megaeventos esportivos no Brasil. O grupo formado por comunidades atingidas, redes e organizações da sociedade civil, movimentos sociais e universidades das cidades que sediarão a Copa do Mundo avaliou as ações realizadas em 2011 e definiu as principais pautas e reivindicações para este ano.
O dossiê Megaeventos e Violação de Direitos Humanos no Brasil, lançado em dezembro do ano passado em ato nacional, ganhará uma versão impressa em março com dados atualizados. O objetivo é disponibilizar informações sistemáticas sobre os diversos impactos do processo de reestruturação urbana para a recepção dos jogos, além de monitorar os encaminhamentos dados pelos órgãos públicos que receberam o documento. Dossiês locais também devem ser produzidos para detalhar a situação em cada cidade, sendo o primeiro o do Rio de Janeiro, também com previsão de lançamento para março.
Estruturou-se, ainda, o lançamento de campanha massiva com o objetivo de barrar a Lei Geral da Copa, posição já expressa em nota pública divulgada no fim do ano passado e que se contrapôs à votação no apagar das luzes do ano legislativo do Congresso Nacional. O projeto cria um contexto de exceção, com alterações legais que beneficiam diretamente a FIFA e seus parceiros, tendo como base um acordo firmado entre a entidade e o governo brasileiro que não é de conhecimento público.O entendimento da Articulação Nacional é de que o Brasil não precisa dessas alterações para sediar a Copa do Mundo, que constituem verdadeiro cavalo de Tróia para os direitos dos cidadãos brasileiros.
Visita a comunidades atingidas e atos púbilcos
As atividades incluíram ainda atos no Aeroporto Internacional Salgado Filho e na Praça da Matriz, além de uma visita guiada pelo Comitê Popular da Copa de Porto Alegre, chamada de Toxic Tour. Membros da Articulação Nacional viram de perto a situação das comunidades atingidas pelas obras na cidade e puderam comprovar que o padrão de violação de direitos tem se repetido no Brasil: envio de famílias para periferia sem oferta de serviços básicos, baixo valor de indenizações e forte pressão da especulação imobiliária. Em Porto Alegre esse avanço se dá também numa região predominantemente rural, que forma o cinturão verde no extremo Sul da cidade.
Os membros da Articulação Nacional também participaram de um ato em repúdio à violência policial em Pinheirinho, organizada por diversas entidades na Esquina Democrática, centro de Porto Alegre. No domingo, ao tomar conhecimento do início da desapropriação, o grupo aprovou uma nota de repúdio que foi enviada à imprensa. Entende-se que a truculência e os interesses que motivaram a ação em São José dos Campos são os mesmos que, sob o argumento da preparação do Brasil para receber megaeventos esportivos, ameaçam remover cerca de 150 mil pessoas de suas casas em todo o país.
A Articulação Nacional de Comitês Populares da Copa espera agora a ampliação e o fortalecimento dos comitês locais, com a crescente percepção de que os benefícios de sediar megaeventos esportivos não alcançam a maior parte da população. O Portal Popular da Copa irá concentrar as informações dos comitês, que realizam atividades e atos públicos, organizam oficinas e seminários e acompanham de perto a situação em suas cidades. Os Comitês Populares da Copa são abertos e se reúnem periodicamente em cada uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.
Imagens:
Visita ao Morro Santa Teresa, em Porto Alegre, onde comunidades estão ameaçadas de remoção. Ao fundo o estádio do Beira-Rio em obras para a Copa do Mundo. (foto 1foto 2)
Visita à Nova Dique, onde estão sendo levadas as famílias da Vila Dique, que fica na cabeceira do Aeroporto Salgado Filho. Falta creche, atendimento médico e as casas já estão apresentando rachaduras. (foto 1foto 2)
Claudia Favaro, do Comitê Porto Alegre, lê a nota pública da Articulação Nacional em ato em repúdio à violência policial em Pinheirinho. (foto1foto 2)
Extremo Sul de Porto Alegre, antiga região rural da cidade onde estão sendo construídos condomínios de luxo e populares sem investimento adequado em serviços de transporte, saúde e educação. (foto 1foto 2foto 3)
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