Secretário para Assuntos da Copa sugeriu calote dos empréstimos à Arena

Secretário estadual para Assun­­tos da Copa do Mundo de 2014, Ma­­­­rio Celso Cunha (PSB) sugeriu que o Atlético pegasse dinheiro em­­prestado do poder público pa­­ra a reforma da Arena visando aos jogos do Mundial. O principal argumento do então vereador e coordenador do evento da Fifa na Câmara Municipal de Curitiba era de que um possível calote vi­­ria a ser anistiado pelo governo.

O discurso, feito em 2010, foi para convencer a diretoria e os con­­selheiros do Rubro-Negro a buscar recursos do Banco Nacio­­nal de Desenvolvimento Econô­­mico e Social (BNDES), em uma triangulação que envolveria ainda a Agência de Fomento do Pa­­raná (nome da autarquia à época, hoje Fomento Paraná), para a obra. O vídeo da reunião foi obtido com exclusividade pela Gazeta do Povo.

“O que vai acontecer? Eu te­­nho quase certeza. Se os clubes forem assumir esses financiamentos [para obras em estádios] não vão pagar coisa nenhuma […] É claro que estou falando so­­bre suposição, mas eu acredito muito que vão perdoar essas dí­­vidas. Não vai ter como o go­­ver­­no co­­brar os clubes, quando o próprio Bra­­sil quer fazer a Copa do Mun­­do aqui”, disse Cu­­nha, pre­­vendo que, no fim das contas, o poder pú­­blico arcaria com to­­dos os gastos.

O parlamentar pediu a palavra logo após a apresentação da consultoria KPMG que, por meio de um estudo, mostrou ser inviável o Atlético arcar com os custos da reforma da praça esportiva conforme as exigências da Fifa.

No fim do discurso, o político fez ainda um alerta ao colegiado de atleticanos. “Quero deixar essas colocações para reflexão, deixando claro que, dependendo da decisão do conselho, se for uma negativa, não tem Copa na Arena, não tem Copa em Curi­­ti­­ba”, vaticinou ele, então líder do pre­­feito Luciano Ducci (PSB) na Câ­­mara.

A Gazeta do Povo entrevistou Cunha em seu gabinete, no pri­­mei­­ro andar do Palácio das Arau­­cárias, uma das sedes do governo do Paraná. O secretário confirmou a declaração e admitiu a exis­tência de um conflito de interesses entre as duas posições de­­le: representante do poder público e o conselheiro do clube do co­­ração. “Não me arrependo, foi coisa de momento. Na época eu pensava assim, que a dívida po­­deria até ser perdoada [pelo go­­verno]”, contou.

Segundo Cunha, foi necessário lançar o argumento de que o governo poderia bancar os custos da reforma porque a antiga gestão, liderada pelo advogado Mar­­cos Malucelli, era contra o endividamento do clube.

“Eu queria mostrar para eles [conselheiros] que não tinham com o que se preocupar ao assinar esse contrato. Grandes clubes brasileiros não estavam pagando suas dívidas e assumindo com­pro­missos de sediar uma Copa”, afirmou, citando os exemplos de Corinthians e Internacional.

O secretário disse que, hoje, me­­lhor informado sobre os trâ­­mi­tes legais envolvendo a tomada de empréstimo de um órgão pú­­blico, não há chance de o Atlé­­­­ti­­co não honrar os contratos que vier a assinar. “Hoje tenho mais conhecimento, uma visão muito clara de que vai ter de pa­­gar. É evidente que o financia­men­to tem regras, já que, além do BNDES, o Banco Central co­­bra muito”, disse, tentando ame­­nizar a polêmica.

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