Estouro milionário

24/05/2012 | 00:09 | ADRIANA BRUM E ANTONIO SENKOVSKI, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO

Orçamento das obras para a Copa do Mundo em Curitiba inflaciona R$ 91 milhões em um ano e cinco meses.

Mesmo com obras ainda não iniciadas, a Copa em Curitiba inflacionou em R$ 91 milhões após um ano e cinco meses do primeiro orçamento. A fatura chegou ontem, com a divulgação do terceiro balanço do governo federal, publicado pelo Ministério do Esporte.

O valor inicial para as 13 obras na capital paranaense era de R$ 772 milhões, conforme a primeira divulgação, de janeiro de 2011. No documento apresentado ontem, a conta total chega a R$ 863 milhões.

Atraso chega a 41% das obras

Adriana Brum, com Agência Estado

Das obras para a Copa de 2014, 40,6 % ainda não saíram do papel. De 101 projetos para as 12 sub-sedes, apenas cinco foram concluídas, conforme o balanço do gover­­no federal. O documento considera os dados até 25 de abril para as obras de mobilidade urbana, estádios e aeroportos.

Apesar dos números, a administração estadual nega o atraso. E, de acordo com a previsão da União, 83% dos empreendimentos estarão prontos até o fim de 2013. Em Curi­­tiba, das 13 obras previstas (três no aeroporto Afonso Pena, nove de mobilidade e a Arena), três não foram iniciadas (23% do total): os corredores da Avenida Cândido de Abreu, o Metropolitano e as vias de integração radial, que somam R$ 190,2 milhões.

O balanço aponta também que 15 obras pelo país ainda não tiveram nem sequer seu projeto concluído. Outras 25 estão em licitação ou tiveram esse processo concluído, mas ainda sem início efetivo. “Não concebo como atraso, mas como ganho [o tempo gasto para a elaboração do projeto] porque quando se tem um bom projeto você vai ganhar na execução”, justificou o ministro das Ci­­da­­des, Aguinaldo Ribeiro.

A Arena, conforme o documento, é o estádio com a menor execução concluída (11%), embora esteja dentro da previsão do governo federal. O mais avançado é o Castelão, em Fortaleza, com 62%.

Entre a primeira e a segun­­da parcial (de R$ 783,6 mi­­lhões), datada de setembro de 2011, o salto havia sido de R$ 11,6 milhões. Nos últimos cinco meses, porém, o acréscimo foi ainda mais relevante: R$ 79,4 milhões.

O maior responsável pela variação são as nove obras de mobilidade urbana: o balanço coloca Curitiba como a cidade que teve o maior aumento no orçamento para esta área entre as 12 sub-sedes. De R$ 479 milhões (setembro), subiu para R$ 544 milhões.

A Arena passou de R$ 220 milhões para R$ 234 milhões. O incremento de R$ 14 milhões será bancado pela prefeitura para as desapropriações no entorno do estádio.

O custeio das obras é de res­­ponsabilidade dos governos municipal, estadual e federal. O diretor-presidente da Coordenação da Região Me­­­­tropolitana de Curitiba (Comec), ligada ao governo do estado, Gil Fernando Bueno Polidoro, arrisca uma justificativa para a elevação dos custos. “Quando se fecha o projeto é de acordo com a realidade do momento. Agora estamos com o mercado da construção civil superaquecido.”

Procurado pela Gazeta do Povo, o secretário estadual para Assuntos da Copa, Mario Celso Cunha, afirmou não ter tido acesso aos dados do balanço, mas destacou que os acréscimos devem sair dos cofres públicos. “Não diria que há relação entre diminuição de prazo e aumento de custos”, diz.

O secretário municipal da Copa, Luiz de Carvalho, também informou que desconhecia os dados do relatório divulgado ontem. “Não houve alteração. Hoje [ontem] estou fora do meu gabinete. Posso lhe apresentar todos os dados amanhã [hoje]”, disse.

Desde a divulgação do primeiro balanço para a Copa 2014, alguns projetos previstos para Curitiba foram ajustados, como o corredor Aeroporto-Ro­­doferroviária, que teve excluída a construção de um viaduto, mas o investimento não foi revisado para baixo.

A coordenadora da entidade acadêmica Observatório das Metrópoles, em Curitiba, Olga Firkowski, questiona o estouro do orçamento. “Duvidamos da veracidade das informações publicadas. Mas sem ter uma opinião balizada, porque não conhecemos detalhes do projeto e nem a natureza do que deixou de ser planejado desde o início. A grande preocupação é que isso possa ser uma desculpa em função dos prazos curtos”, sintetiza.

 

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/investimentos/conteudo.phtml?id=1258166

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